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Economia

União Europeia Oficializa Veto a Carnes e Outras Proteínas do Brasil por Exigências Sanitárias

Medida entra em vigor em 3 de setembro e impacta carnes, pescados e mel; Comissão Europeia alega falta de garantias documentais sobre o uso de antimicrobianos.

Publicada em 06/06/2026 às 16:31h - 751 visualizações Blog Litoral, com informações da Agência Brasil

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União Europeia Oficializa Veto a Carnes e Outras Proteínas do Brasil por Exigências Sanitárias
Para voltar à lista, o Brasil precisará comprovar que cumpre as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.  (Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux)

As exportações do agronegócio brasileiro sofreram um revés comercial severo. A União Europeia (UE) oficializou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixes e mel produzidos no Brasil. O veto regulatório foi publicado no Diário Oficial do bloco econômico nesta sexta-feira (5) e tem data para entrar em vigor: 3 de setembro.

 

A exclusão do Brasil da lista de países autorizados a fornecer essas proteínas ocorre poucas semanas após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O bloco europeu figura historicamente como um dos principais mercados compradores das proteínas animais brasileiras, destacando-se entre os maiores destinos em faturamento para a carne bovina.

 

O Nó Regulatório: Antimicrobianos e a Política "One Health"

 

De acordo com o posicionamento técnico da Comissão Europeia, o governo brasileiro não conseguiu comprovar documentalmente que sua cadeia produtiva atende às rígidas exigências sanitárias do bloco. O principal ponto de fricção é o uso de medicamentos antimicrobianos (antibióticos) para tratar e prevenir infecções em rebanhos.

 

As regras da UE fazem parte da política de segurança alimentar e saúde pública global denominada One Health (Saúde Única), desenhada para conter o avanço da resistência bacteriana no planeta decorrente do uso excessivo de antibióticos na pecuária.

 

Entre as substâncias controladas ou banidas pelos europeus estão:

 

  • Virginiamicina
  • Avoparcina
  • Tilosina
  • Espiramicina
  • Avilamicina
  • Bacitracina

 

Em abril, o Ministério da Agricultura do Brasil chegou a proibir o uso de parte desses antimicrobianos como promotores de crescimento e ganho de peso animal. Contudo, a auditoria europeia considerou que as medidas adotadas ainda carecem de garantias adicionais de fiscalização.

 

Rastreabilidade, não contaminação: Fontes do setor técnico apontam que a decisão europeia tem caráter estritamente regulatório. Não há indícios ou laudos apontando que a carne brasileira disponível no mercado esteja de fato contaminada, mas sim uma incapacidade burocrática de atestar a rastreabilidade total do ciclo de vida do animal.

 

Os Caminhos e Desafios para a Retomada das Exportações

 

Para reverter a suspensão e recuperar o selo de exportação para a Europa, o Brasil precisará estruturar uma contraofensiva sanitária nacional. Especialistas apontam que o país tem duas alternativas regulatórias pela frente:

 

Alternativa

Mecanismo de Ação

Grau de Complexidade

Opção 1: Ampliação do Banimento

Decretar a proibição legal irrestrita e total de todas as substâncias citadas pela UE no território nacional.

Médio (Exige coordenação jurídica e substituição de insumos veterinários).

Opção 2: Segregação e Rastreabilidade

Criar um sistema de auditoria dupla para certificar de forma separada as propriedades que não usam os remédios, criando uma "linha verde" exclusiva para a UE.

Alto (Gera custos elevados de monitoramento para frigoríficos e produtores, além de demandar vistorias detalhadas).

 

O Ministério da Agricultura e as entidades de classe que representam os frigoríficos exportadores devem iniciar rodadas de negociação nas próximas semanas para tentar alinhar os protocolos de certificação antes que o prazo de transição expire em setembro.




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