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A investigação em torno do financiamento de "Dark Horse", filme ficcional focado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo e robusto capítulo contábil. A produtora cultural Karina Ferreira Gama, responsável pela execução do projeto no Brasil, apresentou à Justiça um laudo pericial detalhado afirmando que a produção custou um total de R$ 75 milhões.
Segundo o documento, revelado na última sexta-feira (12) pelo portal Metrópoles, a integralidade do capital utilizado na obra audiovisual possui origem privada e foi integralmente custeada por um fundo internacional de investimentos sediado nos Estados Unidos, que possui ligações diretas com aliados da família Bolsonaro.
O Fluxo Financeiro e o Doador do Banco Master
Embora a perícia técnica assinada por especialistas não nomeie diretamente a identidade de cada um dos investidores finais, o cruzamento das informações contábeis com dados de investigações em curso revela a rota do dinheiro:
Diante desses valores, os dados técnicos apontam que os recursos disponibilizados pelo dono do Banco Master foram responsáveis por cobrir mais de 80% de todos os custos de produção da cinebiografia.
Divisão dos Custos entre Brasil e Estados Unidos
O laudo contábil detalhou como o orçamento milionário de R$ 75 milhões foi distribuído geograficamente para a execução das filmagens, contratação de elenco, equipe técnica e logística nos dois países:
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Local de Produção |
Custo em Dólar (US$) |
Equivalente em Real (R$) |
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Operação no Brasil |
US$ 3,7 milhões |
R$ 20,9 milhões |
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Operação nos Estados Unidos |
US$ 9,6 milhões |
R$ 54,2 milhões |
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TOTAL DO PROJETO |
US$ 13,3 milhões |
R$ 75,1 milhões |
Estratégia de Defesa contra Suspeitas de Desvio
A apresentação voluntária deste laudo pericial foi a estratégia jurídica desenhada pela defesa de Karina Ferreira Gama para tentar esvaziar e rebater as linhas de investigação de um inquérito conduzido pela Polícia Civil.
A polícia apura a suspeita de que contratos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil — uma Organização Não Governamental (ONG) controlada por Karina — teriam sido ilegalmente inflados ou desviados para abastecer os bastidores do filme "Dark Horse". Concluindo que os repasses vieram do exterior via Havengate, a defesa tenta provar que não houve injeção de dinheiro público municipal na obra.
A conexão política do fundo Havengate com o clã Bolsonaro se estreita também na representação legal da estrutura financeira. O fundo internacional tem como procurador oficial no Brasil o escritório de advocacia de Paulo Calixto, profissional que atua formalmente na defesa jurídica do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).